14 / 08 / 2012 - 6:34 pm

Montanha-russa de madeira ganha fãs

Montanha russa feira de Madeira

Por HENRY FOUNTAIN

SANTA CLAUS, Indiana – Do topo da montanha-russa de madeira chamada Voyage, 50 metros acima do parque temático Holiday World, no sul de Indiana, o trilho despenca 47 metros em um ângulo de 66°. Os carrinhos rapidamente atingem velocidade máxima de 110 km/h.

Esses números impressionantes ajudam a explicar por que mais de 1 milhão de pessoas visitam o Holiday World por ano e por que a Voyage é tão elogiada pelos especialistas.

Novas montanhas-russas de madeira são relativamente raras, pois os modelos com trilhos de aço são geralmente mais rápidos e mais altos (e mais baratos de manter), além de terem mais características nauseantes, como loopings e cambalhotas em parafuso. Mas o Gravity Group, que projetou a Voyage, teve uma montanha-russa na Suécia, inaugurada no ano passado, e fez vários projetos na China, onde a crescente classe média se apaixonou pelos parques de diversões.

“O segredo da primeira queda é moldar aquela parábola e acertá-la exatamente”, disse Chad Miller, 38, sócio da Gravity Group, de Cincinnati, uma entre cerca de uma dúzia de empresas que projetam montanhas-russas no mundo. “Isso lhe dá a quantidade certa de tempo de ar, especialmente no assento traseiro.”

O termo “tempo de ar” alude às forças G negativas que tiram o passageiro do assento, por causa de mudanças na velocidade do carrinho. Em seus 1.900 metros -é a segunda mais longa montanha-russa de madeira do mundo-, a Voyage tem quedas acentuadas e curvas fechadas que afetam a velocidade, resultando em 24 segundos de tempo de ar, um recorde extraoficial.

Ao projetar uma montanha-russa, a maior prioridade é deixar os passageiros seguros (conforme recomendações da entidade reguladora ASTM International), a segunda maior é fazê-los gritar.

A pista da Voyage se retorce e faz curvas (um trecho é chamado de “travessa de espaguete”), tem aclives de 90°, balança para dentro e para fora da estrutura de sustentação e mergulha dentro de túneis e sob vigas (chamadas de “arrancadores de cabeças”).

“Tínhamos tanta pista para trabalhar”, disse Miller, “que dissemos: ‘Vamos fazer um negócio realmente legal’”.

Montanhas-russas de madeira têm trilhos feitos de pinho laminado tratado a pressão, depositados sobre tábuas e com apenas finas fitas de aço que entram em contato com as rodas do carrinho. Puristas dizem que a estrutura de apoio precisa ser de madeira também, mas a Voyage é uma das várias com estrutura de aço.

A Voyage foi construída em 2006, ao custo de US$ 9,5 milhões, e é uma das melhores montanhas-russas de madeira do mundo.

“É a melhor que já fui”, disse a freira beneditina Michelle Sinkhorn, que mora perto do parque e diz já ter feito o passeio mais de cem vezes. Ela fica de mãos erguidas o tempo todo -2 minutos e 45 segundos. “Faço voo livre”, disse ela.

Byron Hughes, um aposentado do Alabama, disse: “Gosto da sensação de estar fora do controle”.

Essa sensação não ocorre por acaso. Como as montanhas-russas de madeira tendem a ser mais lentas, elas podem ter curvas e torções mais fechadas do que as de aço, sem gerar forças G.

Uma forma de pensar no tempo de ar, disse Miller, é imaginar um carrinho subindo. Se a pista for desenhada de modo que a trajetória do carrinho seja ligeiramente mais baixa que a dos passageiros, eles experimentarão o tempo de ar. Não é que os passageiros subam; é o carrinho (que tem rodas se segurança sob o trilho) que desce. “Essencialmente, é a pista saindo de você”, disse Miller.

Os projetistas ficam restritos pela quantidade de energia potencial com a qual precisam lidar, e esta é determinada pelo peso do carrinho e dos seus passageiros, pela altura e pela gravidade. A energia potencial é maior no topo da primeira subida. Conforme o carrinho desce esse trecho e sobe o próximo, a fricção cobra o seu preço. A quantidade de energia potencial diminui ao longo do trajeto e nenhuma outra elevação pode ser maior que a primeira.

Miller disse que os projetistas não precisam ser muito específicos quanto às perdas energéticas no percurso. “A madeira é um material muito impreciso”, disse ele. “Se está frio, você terá uma quantidade de perda por fricção. Se estiver calor e acabado de chover, misturado com o óleo no trilho, (o carrinho) vai voar feito um louco.”

Eles projetam o brinquedo de modo a gerar forças bem inferiores aos limites da ASTM (os quais levam em conta magnitude, duração e direção), por causa dessa influência climática e de preocupações com a manutenção. As montanhas-russas de madeira, bem mais que as de aço, podem se tornar mais trepidantes com o tempo e, às vezes, requerem uma reforma completa.

Quando o Holiday World concluiu no ano passado que a passagem pela “travessa de espaguete” estava desconfortável demais, o Gravity Group refez o projeto com um alinhamento mais suave.


Fonte: Folha de São Paulo

Um comentário para Montanha-russa de madeira ganha fãs

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